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Cada vez mais, eles ganham as ruas


23/05/2016

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Foto: Marcelo Feitosa/ O Fluminense

Bicicleta e skate são alternativas para quem busca fugir do trânsito da cidade. 

 

Após um longo dia de trabalho, nada melhor do que chegar em casa de maneira rápida e relaxada. Mas nem sempre é assim. O trânsito do dia a dia pode ser estressante. Devido ao grande número de carros e a falta de transportes públicos suficientes, buscar soluções alternativas se tornou essencial para algumas pessoas. Uma delas é o administrador e contador Daniel Figueredo de Abreu, de 43 anos, que encontrou na bicicleta seu novo meio de transporte.

Ele conta que pedalava como lazer, mas que há cerca de um ano ficou curioso quando viu que algumas pessoas iam trabalhar no Rio de bicicleta. Após analisar as possibilidades, já que teria de levar a “magrela” na barca para a travessia, não teve mais dúvidas. “Os ônibus também demoram e vivem lotados na hora do rush, e muitos não têm ar-condicionado. Agora, gasto aproximadamente dez minutos de casa, em Santa Rosa, até a estação das barcas”, diz, ressaltando que com a ciclovia da Avenida Amaral Peixoto, no Centro, o trajeto ficou ainda melhor. 

Já a professora Graça Rocha Miranda, 53, é outra adepta da bike. Mas a sua relação com as “duas rodas” vem desde os tempos de escola. E há 15 anos este passou a ser o meio de transporte usado para ir para o trabalho também. “Minha qualidade de vida melhorou muito”, comemora.

Antes usado só para os momentos de lazer, o skate do comerciante Bruno Lobato, 38, passou a ser o seu “veículo” para ir trabalhar. Ele diz que a vantagem em relação à bicicleta é que ele pode ser levado na mão e não precisa de local específico para guardá-lo. 

 

“Eu moro e trabalho em Icaraí, então, fica bem mais difícil usar carro pela falta de estacionamento no bairro, e também usar o ônibus, por ser uma distância curta. Assim, não gasto combustível, não me estresso, não gasto dinheiro com passagem, além de ser menos poluente e menos barulhento também”, afirma Bruno.

Pensando em investir em políticas sustentáveis para reduzir o congestionamento do centro urbano, a Prefeitura de Niterói implantou, em janeiro de 2013, o Programa Niterói de Bicicleta, que tem como objetivo incentivar a cultura cicloviária na cidade e, assim, diminuir o número de automóveis nas ruas. 

“O resultado mais perceptível é o aumento do número de ciclistas circulando pela cidade. Contagens feitas regularmente pelo coletivo Mobilidade Niterói, que é um grupo de trabalho formado por ciclistas, e tem como objetivo principal estudar e propor soluções de mobilidade urbana, mostram que, na Avenida Amaral Peixoto, por exemplo, entre janeiro de 2015 e janeiro de 2016 houve um aumento de 33,85% no número de ciclistas”, afirma a coordenadora do programa, Isabela Ledo.

 

“Resolvemos acompanhar o crescimento do uso da bicicleta na cidade, para isto escolhemos um ponto da Amaral Peixoto e um horário para realizar o levantamento, de 7 às 9 horas, todo mês. Também houve um aumento da participação das usuárias mulheres, de 11,25% para 13,5%”, observa Sergio Franco, integrante do grupo.

 

Entretanto, Bruno Lobato reclama que, apesar de a cidade ter campanhas que incentivam o uso desses transportes, nenhuma conseguiu o efeito desejado no que diz respeito à educação no trânsito. “Ninguém respeita esses locais especiais para ciclistas. Muitas vezes, os motoristas reclamam que estamos brincando no trânsito, mas muitos não percebem que estamos indo trabalhar, que aquele é o nosso meio de transporte”, desabafa o comerciante. 

Para Daniel Figueiredo, motoristas, ciclistas e pedestres precisam ser mais educados e tolerantes uns com os outros, e garantir que o mais “forte” proteja e dê preferência ao mais “frágil”. A melhor mobilidade só pode existir se cada um cumprir o seu papel e, em uma cidade cada vez mais populosa como Niterói, isso é fundamental para o bem-estar das pessoas”, acrescenta Daniel.

 

Graça concorda e completa: “Se houvesse mais campanhas pela segurança dos ciclistas, o número de usuários aumentaria. O motorista já tem um padrão dentro do automóvel. É mais estressado, impaciente, e a bicicleta incomoda em vários sentidos, quando não deveria ser dessa forma.

Daniel, Graça e Bruno enfatizam que outro problema desses meios alternativos de transporte é o conforto e a dificuldade em “estacionar” seus “veículos”. 

 

No entanto, Bruno garante que outras vantagens, como não ficar sedentário, compensam. 

“O preparo físico não precisa ser de atleta, já que após um tempo de prática é possível percorrer grandes distâncias, sem dor e fadiga. O grande problema da cidade é a falta de estrutura para usar o transporte alternativo, por isso é preciso experiência. O asfalto é irregular, bueiros abertos e pedras soltas contribuem bastante para aumentar o risco, finaliza.