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Número de bicicletas nas ruas de Niterói dobra em dois anos

22/04/2017

 

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Foto: O Globo

 

Ciclistas elogiam ampliação de ciclovias e pedem mais sinalização


As bicicletas ganharam as ruas definitivamente. Acompanhando o avanço da malha cicloviária da cidade (e os engarrafamentos a cada dia mais frequentes), o número de ciclistas dobrou em relação a dois anos atrás, segundo contagem do coletivo cicloativista Mobilidade Niterói. A média anotada na Avenida Amaral Peixoto nos quatro primeiros meses deste ano foi de 161 ciclistas por hora, contra 80 no mesmo período de 2015. Em 2016, o número chegou a 99.


A disparada nas medições surpreendeu até os ciclistas. Não há consenso sobre os motivos que levaram a esse aumento, mas algumas medidas são apontadas como fundamentais para estimular o uso das bikes: ciclovias apropriadas, bicicletários mais seguros, maior sinalização e fiscalização. Outros vão além e atribuem o aumento a melhorias do outro lado da Baía de Guanabara, como a revitalização da Zona Portuária, que criou um passeio mais seguro e agradável no Centro do Rio.

 

Para o professor de História Claudio de Melo, a maior disponibilidade de ciclovias é o que fez ele utilizar a bicicleta com mais frequência para ir de Santa Rosa até o Centro. A cidade tem hoje 36 quilômetros, segundo a prefeitura, sendo que 16 foram implantados nos últimos quatro anos.

 

— Sentimos bem mais segurança na ciclovia, apesar de ainda enfrentarmos desrespeito com frequência. Mas acho que, naturalmente, os carros, pedestres e ciclistas tendem a se entender com o tempo — diz Melo.

 

A publicitária Eduarda Camargo mora em Icaraí e diz que fica cada vez mais inclinada a pegar a bicicleta para driblar o trânsito. Não usa diariamente para ir ao trabalho por falta de coragem.

 

— Já contei o tempo que levo até as barcas e vi que, de ônibus, demoro mais do que de bicicleta, principalmente devido ao trânsito na volta — conta Eduarda.

 

O fundador do Mobilidade Niterói, Sérgio Franco, avalia que uma das prioridades para ter uma rota mais atraente e segura é implantar uma ciclovia na Avenida Marquês do Paraná, ligando a existente na Avenida Roberto Silveira à da Amaral Peixoto:

 

— Esse trecho está sempre em pauta. Até hoje não resolveram a ciclovia, nem colocaram sinalização adequada para informar que é pista compartilhada, ou reduziram a velocidade dos carros. Há uma demanda reprimida enorme. Tem gente que não quer passar por ali de bicicleta por falta de segurança.

 

Franco, contudo, aponta algumas das principais melhorias que colaboram para o maior uso da bicicleta.

— O novo bicicletário Araribóia foi um ganho superimportante, e o ciclopatrulhamento feito pela Guarda Municipal, também. A ciclovia na Rua São Lourenço é outra questão positiva, mas já apresenta problemas de conservação — diz Franco.

 

A curto prazo, a cidade ganhará uma nova ciclovia que ligará a Zona Sul à Região Oceânica. Até o dia 6 de maio, data prevista para a abertura do túnel Charitas-Cafubá, a prefeitura prometeu implantar uma via segregada para bicicletas ao longo das praias de São Francisco e Charitas. O trecho conectará a ciclovia do novo túnel com a da Avenida Roberto Silveira.

 

Fonte: O Goblo