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Cicles resistem e voltam à moda

 

26/06/2017

 

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Foto: Fernando Lemos

 

O cicle de Carlos Alberto Guimarães Santos funciona ha 80 anos na Avenida Sete de Setembro: “movimento cresceu 50%“. 

A percepção dos niteroienses de que as ruas estão cada vez mais cheias de bicicletas é comprovada pelos números: contagens feitas pelo grupo Mobilidade Niterói, em parceria com o programa Niterói de Bicicleta, revelam um crescimento de 36% no número de ciclistas que passam diariamente na Avenida Amaral Peixoto, no Centro, no último ano.

 O que antes era apenas uma diversão passou a ser encarado como opção sustentável de transporte para todas as idades, observação sustentada pelo surgimento de 35 quilômetros de faixas exclusivas para as magrelas nos últimos quatro anos. E quem não para de comemorar são os comerciantes do setor, que viram as vendas subirem até 50% em um ano, apesar da crise. Muitos investem em novas lojas.

Um exemplo de guinada profissional é o mecânico José Carlos Costa Vieira. Ele trabalhou por 18 anos em lojas especializadas e, há oito meses, abriu seu próprio negócio com um sócio, num dos pontos mais valorizados de Icaraí: na Avenida Roberto Silveira, próximo à esquina com a Rua Lopes Trovão, em Icaraí, funciona a GarageBike, loja onde recebe clientes até da Região Oceânica.

— Com a abertura do túnel Charitas-Cafubá, as distâncias encurtaram, e a bicicleta passou a ser vista como uma opção. Todo dia eu atendo alguém aqui que mora lá. As pessoas também consideram muito a segurança, e as ciclofaixas estão motivando todos a pedalarem. Antes, a maior parte dos meus clientes era de homens, mas, de um ano para cá, cresceu muito o número de mulheres que compram bicicletas e até cadeirinhas para levar os filhos para a escola. Ninguém quer ficar preso no trânsito — analisa, evitando falar em números, mas confirmando o crescente movimento na loja. — Cada dia cresce mais, até porque o movimento da ciclovia da Roberto Silveira, que passa aqui na frente, é grande e sempre tem alguém precisando de um reparo.

ESTRUTURA INCENTIVA USO

A melhoria da estrutura das ciclofaixas é apontada como fator fundamental para o sucesso dos negócios pelos comerciantes, que não têm o que reclamar da onda de bonança. O bicicletário da Praça Araribóia começou a funcionar em março e vive cheio: somente no mês de maio, o estacionamento de bikes recebeu 7.179 ciclistas e cadastrou 729 novos usuários.

Carlos Alberto Guimarães Santos, tem um cicle herdado do pai que funciona há 80 anos na Avenida Sete de Setembro, em Icaraí. Desde os 10 anos trabalhando no conserto das bikes, ele diz que o momento é mesmo especial:

— De um ano para cá, meu movimento cresceu em média 50% — conta ele, que também vê mudanças no perfil dos clientes. — Antes, eram mais pais que investiam na bicicleta para o lazer dos filhos, para passear na praia, no Campo São Bento. Atualmente, as pessoas estão se equipando para irem ao trabalho, à faculdade. Estão percebendo que podem se locomover melhor e ainda fazer um exercício.

A tendência é que o setor continue em alta. Essa semana a prefeitura iniciou a desapropriação de 35 imóveis na Avenida Marquês do Paraná para alargar a via e implantar uma ciclofaixa. A pista para ciclistas no trecho é essencial para a ligação das faixas do Centro com as das zonas Sul e Norte — esta, via Rua São Lourenço. O projeto foi um dos dez tópicos assumidos pelo prefeito numa carta-compromisso pela mobilidade ativa com grupos de cicloativistas, durante a campanha para reeleição. Na última segunda-feira, a prefeitura lançou um plano de metas para serem realizadas até 2020 que inclui a consolidação de cem quilômetros de malha cicloviária, sendo 57 quilômetros na Região Oceânica.

Fonte: O Globo