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Crescimento das ciclovias muda hábito dos moradores

29/07/2017

 

calvo

Foto: Luciola Villela

 

Antes usada só para o lazer, bicicleta virou meio de transporte

 

Nos últimos quatro anos, a quantidade de faixas exclusivas para bicicletas na cidade saltou de 15 para 30 quilômetros, fazendo muita gente tomar coragem e sair por aí pedalando. Antes mais vistas no calçadão e nas áreas de lazer, as bicicletas se proliferaram pelas ruas e passaram a ser usadas pelos ciclistas para ir ao trabalho e levar as crianças para a escola.

Com o trânsito cada vez mais caótico no Centro e na Zona Sul, essa mudança de hábito parece definitiva e deve chegar a outros locais da cidade: a prefeitura planeja implantar cem quilômetros de malha cicloviária nos próximos três anos, sendo 57 quilômetros na Região Oceânica.

 

Evolução gráfica JB

A mudança na relação do niteroiense com as bicicletas foi acompanhada pelo GLOBO-Niterói nos últimos 35 anos. Em 26 de outubro de 1988, reportagem do caderno já mostrava o crescimento de bicicletas na orla e nas áreas de lazer. A matéria criticava as condições das ruas internas de Icaraí para os ciclistas e anunciava que as magrelas estavam em alta entre a turma que ia paquerar no calçadão da praia. Com 35 anos de idade, Daniel Arend, morador de Santa Rosa, lembra-se pouco dessa época, pois tinha apenas 6 anos. Mas em suas recordações, a bicicleta está relacionada às brincadeira na infância:

 

— Eu me lembro de ir com os meus pais à orla e ao Campo de São Bento, mas acho que, naquela época, ninguém se arriscava muito a enfrentar o trânsito. Eu só comecei mesmo a usar a bicicleta como meio de transporte há uns dois anos. Agora, vou até para reuniões de trabalho no Rio com ela.

 

A crescente quantidade de niteroienses que passaram a usar a bicicleta para ir ao trabalho, como Daniel, foi registrada pelo GLOBO-Niterói em junho de 2015. Antes da implantação do bicicletário na Praça Araribóia, este ano, uma reportagem mostrou o aumento de 125% no número de ciclistas que atravessavam diariamente de barcas até a Praça Quinze. No início do boom, o GLOBO-Niterói começou a acompanhar as mudanças. Em dezembro de 2015, uma matéria registrou que pesquisa inédita sobre o perfil do ciclista brasileiro, realizada pela ONG Transporte Ativo, revelo que a cidade era a segunda melhor do país na integração de bicicletas com outros meios de transporte. Enquanto a média nacional não passou dos 26,4%, a de Niterói (41%) foi comparada à de Brasília, onde mais da metade dos ciclistas tem acesso a alguma forma de integração, e a entrada de passageiros com bicicleta no metrô é liberada durante todo o dia. Moradora de São Francisco, a pesquisadora Márcia Fernandes aposta que a onda das magrelas veio para ficar.

 

— Quando eu comecei, há uns dez anos, era uma solitária nas ruas, tinha que andar pelo canto da calçada sempre ligada porque ninguém respeitava. Hoje, os motoristas estão mais respeitosos.

 

Fonte: O Globo